O tempo passou e ao contrário do que se diz, a dor intensificou-se. A cada dia que passa, mais me sinto com vontade de desistir, de me deixar ficar. Não sinto saudades dele, porque o amor já tinha deixado de existir. Mas sinto o peso do falhanço, o peso do descrédito que me ficou. A dor maior é talvez o medo de que nunca mais volte a acreditar da maneira que já acreditei.
Não estou preparada para ficar sozinha e não estou preparada para ter ninguém.
"Na maior aflição, no irremediável naufrágio, qualquer um quer salvar a alma. Ninguém quer passar sem deixar rasto (...) A vida, mais do que uma viagem com lugar de partida e porto de chegada, é um caminho que se perde no escuro interior de uma floresta, num grande esquecimento. Falta-nos o destino." Pedro Paixão, in o Infinito é agora
maio 30, 2010
maio 12, 2010
Luto
(...) perdemos alguém, e temos que superar o primeiro inverno a sós, e a primeira primavera e depois o primeiro verão,e o primeiro outono. e dentro disso, é preciso que superemos os nossos aniversários, tudo quanto dá direito a parabéns a você, as datas da relação, o natal, a mudança dos anos, até a época dos morangos, o magusto, as chuvas molha tolos, o primeiro passo de um neto, o regresso de um satélite à terra, a queda de mais um avião, as notícias sobre o brasil, enfim tudo. e também é preciso superar a primeira saída de carro a sós. o primeiro telefonema que não pode ser feito para aquela pessoa. a primeira viagem que fazemos sem a sua companhia. os lençóis que mudamos pela primeira vez. as janelas que abrimos. a sopa que preparamos para comermos sem mais ninguém. o telejornal que já não comentamos. um livro que se lê em absoluto silêncio. o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injecta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos(...).
in A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe
maio 04, 2010
Estou triste
Preciso de um flirt. Uma coisa inocente, mas que me encha o ego. Uma pessoa a quem possoa espicaçar, que me desperte uma ou duas borboletas que tenho escondidas na barriga. Não me quero apaixonar, mas preciso de alguém que me faça sentir desejada, com vontade de rir à gargalhada… No fundo, no fundo, preciso de alguém que te substitua, por muito mau que isto possa parecer.
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