O tempo passou e ao contrário do que se diz, a dor intensificou-se. A cada dia que passa, mais me sinto com vontade de desistir, de me deixar ficar. Não sinto saudades dele, porque o amor já tinha deixado de existir. Mas sinto o peso do falhanço, o peso do descrédito que me ficou. A dor maior é talvez o medo de que nunca mais volte a acreditar da maneira que já acreditei.
Não estou preparada para ficar sozinha e não estou preparada para ter ninguém.
"Na maior aflição, no irremediável naufrágio, qualquer um quer salvar a alma. Ninguém quer passar sem deixar rasto (...) A vida, mais do que uma viagem com lugar de partida e porto de chegada, é um caminho que se perde no escuro interior de uma floresta, num grande esquecimento. Falta-nos o destino." Pedro Paixão, in o Infinito é agora
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